Hipogonadismo – Deficiência de Testosterona
Dr Bruno Nascimento Hipogonadismo – Deficiência de Testosterona

Nos últimos anos, houve uma explosão de informações (e desinformações) sobre testosterona, muitas vezes direcionadas diretamente ao público leigo, sem o devido cuidado científico ou clínico.

Estudos mostram que até 25% dos homens que recebem testosterona não têm indicação real, enquanto muitos outros que deveriam ser tratados não recebem o tratamento adequado.

Vamos esclarecer alguns pontos importantes:

A testosterona é um hormônio fundamental, com ações amplas no organismo masculino:
🔹 Regula o desejo sexual (libido) e contribui para a função erétil;
🔹 Participa da manutenção da massa muscular, redução de gordura abdominal e saúde óssea;
🔹 Tem impacto na sensibilidade à insulina, energia e até no humor.

Apesar disso, o diagnóstico da deficiência de testosterona pode ser complexo

Os sintomas são muitas vezes confundidos com sinais de estresse crônico ou depressão, condições extremamente comuns na atualidade e cujo tratamento, por óbvio, não inclui administração deste hormônio.  

Como é feito o diagnóstico correto?

É necessário, no mínimo:
📍 Dois exames laboratoriais matinais confirmando níveis baixos de testosterona total (<300 ng/dL);
📍 Ou níveis intermediários (300–400 ng/dL) associados a sintomas compatíveis.

🔴 Apenas sintomas não justificam o tratamento

Via de regra, se os níveis hormonais estiverem repetidamente acima de 400 ng/dL, a reposição não trará benefício, apenas custo e risco.

E como tratar?

Após confirmação diagnóstica, a reposição deve ser individualizada. As principais opções incluem:
✔️ Estímulo da produção endógena (como com Clomifeno);
✔️ Géis/cremes hormonais;
✔️ Injeções (de curta ou longa duração);
✔️ Implantes subcutâneos (pellets).

A escolha depende do perfil clínico, exames laboratoriais, preferências do paciente e objetivos terapêuticos (fertilidade futura, por exemplo).

Riscos: câncer de próstata?

Não. Repor testosterona de forma responsável, visando níveis normais, não aumenta o risco de câncer de próstata.

✔️ No entanto, é essencial descartar um tumor pré-existente antes de iniciar a reposição. Isso envolve:

  • PSA,
  • Toque retal,
  • Ressonância magnética prostática (em alguns casos),
  • E, se necessário, biópsia.

E o risco cardiovascular?

Essa é uma das questões mais debatidas. Baixos níveis de testosterona são associados a maior risco cardiovascular e mortalidade. Mas a reposição? Aumenta ou reduz esse risco?

Essa dúvida motivou estudos robustos, como os T Trials. Em homens com mais de 65 anos e hipogonadismo confirmado, tratados por um ano, não houve aumento de eventos cardiovasculares, embora tenha sido observado um aumento de volume de placas coronarianas — o que gerou debates sobre o impacto real.

Mais recentemente, o TRAVERSE trial, o maior estudo já realizado sobre o tema, acompanhou por mais de 2 anos mais de 5.000 homens com hipogonadismo e alto risco cardiovascular. O estudo concluiu que a reposição de testosterona não aumentou o risco de infarto, AVC ou morte cardiovascular, quando comparada ao placebo.

⚠️ Por isso, a diretriz da AUA recomenda cautela e avaliação individualizada, especialmente em pacientes com risco cardiovascular elevado. Quando necessário, um cardiologista deve ser envolvido na decisão.

Outros pontos importantes a discutir antes de iniciar o tratamento:

  • A reposição será contínua?
  • Como será o acompanhamento de efeitos colaterais?
  • A fertilidade será impactada?
  • Existe risco de piora na apneia do sono?

📌 Contribuições recentes sobre o tema:

Bruno também contribuiu com a coluna VivaBem da UOL, esclarecendo mitos e verdades sobre a testosterona:
🔗 Testosterona: o que os homens que precisam de reposição deveriam saber (UOL – 18/07/2024)

E organiza o TESTO, um evento acadêmico, técnico e multiprofissional sobre o tema, que já é referência nacional para a discussão séria e atualizada sobre este hormônio.
🌐 Confira mais sobre o evento TESTO

Dr Bruno Nascimento Urologista e Andrologista

Medicina humanizada e especializada na saúde sexual masculina.

Formação

Chefe do Grupo de Medicina Sexual do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP).

Graduado em Medicina, Cirurgia Geral e Urologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Doutor em Urologia pela FMUSP.

Fellowship em Medicina Sexual pelo Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSKCC – Nova Iorque, EUA)

Estágio externo na Harvard Medical School (Boston - EUA)

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