Nos últimos anos, houve uma explosão de informações (e desinformações) sobre testosterona, muitas vezes direcionadas diretamente ao público leigo, sem o devido cuidado científico ou clínico.
Estudos mostram que até 25% dos homens que recebem testosterona não têm indicação real, enquanto muitos outros que deveriam ser tratados não recebem o tratamento adequado.
Vamos esclarecer alguns pontos importantes:
A testosterona é um hormônio fundamental, com ações amplas no organismo masculino:
🔹 Regula o desejo sexual (libido) e contribui para a função erétil;
🔹 Participa da manutenção da massa muscular, redução de gordura abdominal e saúde óssea;
🔹 Tem impacto na sensibilidade à insulina, energia e até no humor.
Apesar disso, o diagnóstico da deficiência de testosterona pode ser complexo.
Os sintomas são muitas vezes confundidos com sinais de estresse crônico ou depressão, condições extremamente comuns na atualidade e cujo tratamento, por óbvio, não inclui administração deste hormônio.
Como é feito o diagnóstico correto?
É necessário, no mínimo:
📍 Dois exames laboratoriais matinais confirmando níveis baixos de testosterona total (<300 ng/dL);
📍 Ou níveis intermediários (300–400 ng/dL) associados a sintomas compatíveis.
🔴 Apenas sintomas não justificam o tratamento.
Via de regra, se os níveis hormonais estiverem repetidamente acima de 400 ng/dL, a reposição não trará benefício, apenas custo e risco.
E como tratar?
Após confirmação diagnóstica, a reposição deve ser individualizada. As principais opções incluem:
✔️ Estímulo da produção endógena (como com Clomifeno);
✔️ Géis/cremes hormonais;
✔️ Injeções (de curta ou longa duração);
✔️ Implantes subcutâneos (pellets).
A escolha depende do perfil clínico, exames laboratoriais, preferências do paciente e objetivos terapêuticos (fertilidade futura, por exemplo).
Riscos: câncer de próstata?
❌ Não. Repor testosterona de forma responsável, visando níveis normais, não aumenta o risco de câncer de próstata.
✔️ No entanto, é essencial descartar um tumor pré-existente antes de iniciar a reposição. Isso envolve:
- PSA,
- Toque retal,
- Ressonância magnética prostática (em alguns casos),
- E, se necessário, biópsia.
E o risco cardiovascular?
Essa é uma das questões mais debatidas. Baixos níveis de testosterona são associados a maior risco cardiovascular e mortalidade. Mas a reposição? Aumenta ou reduz esse risco?
Essa dúvida motivou estudos robustos, como os T Trials. Em homens com mais de 65 anos e hipogonadismo confirmado, tratados por um ano, não houve aumento de eventos cardiovasculares, embora tenha sido observado um aumento de volume de placas coronarianas — o que gerou debates sobre o impacto real.
Mais recentemente, o TRAVERSE trial, o maior estudo já realizado sobre o tema, acompanhou por mais de 2 anos mais de 5.000 homens com hipogonadismo e alto risco cardiovascular. O estudo concluiu que a reposição de testosterona não aumentou o risco de infarto, AVC ou morte cardiovascular, quando comparada ao placebo.
⚠️ Por isso, a diretriz da AUA recomenda cautela e avaliação individualizada, especialmente em pacientes com risco cardiovascular elevado. Quando necessário, um cardiologista deve ser envolvido na decisão.
Outros pontos importantes a discutir antes de iniciar o tratamento:
- A reposição será contínua?
- Como será o acompanhamento de efeitos colaterais?
- A fertilidade será impactada?
- Existe risco de piora na apneia do sono?
📌 Contribuições recentes sobre o tema:
Bruno também contribuiu com a coluna VivaBem da UOL, esclarecendo mitos e verdades sobre a testosterona:
🔗 Testosterona: o que os homens que precisam de reposição deveriam saber (UOL – 18/07/2024)
E organiza o TESTO, um evento acadêmico, técnico e multiprofissional sobre o tema, que já é referência nacional para a discussão séria e atualizada sobre este hormônio.
🌐 Confira mais sobre o evento TESTO

Medicina humanizada e especializada na saúde sexual masculina.
Testosterona, Deficiência de testosterona, Reposição de testosterona, Níveis baixos de testosterona, Diagnóstico de testosterona baixa, Testosterona total, Exame de testosterona, Reposição hormonal masculina, Tratamento com testosterona, Quando repor testosterona, Clomifeno testosterona, Géis hormonais testosterona, Injeções de testosterona, Implantes hormonais masculinos, Implante subcutâneo de testosterona, Pellets testosterona, Efeitos da testosterona, Benefícios da reposição de testosterona, Libido e testosterona, Testosterona e ereção, Testosterona e massa muscular, Testosterona e gordura abdominal, Testosterona e saúde óssea, Testosterona e energia, Testosterona e humor, Sintomas de testosterona baixa, Testosterona e estresse, Testosterona e depressão, Testosterona e fertilidade masculina, Testosterona e apneia do sono, Testosterona e câncer de próstata, Testosterona e PSA, Toque retal e testosterona, Ressonância magnética prostática, Biópsia de próstata e testosterona, Testosterona e risco cardiovascular, TRAVERSE trial testosterona, T Trials testosterona, Testosterona e eventos cardiovasculares, Reposição de testosterona e infarto, Testosterona e AVC, Testosterona e morte cardiovascular, Testosterona e diretrizes AUA, Avaliação individualizada testosterona, Testosterona em homens acima de 65 anos, Evento TESTO, Bruno Nascimento testosterona, VivaBem UOL testosterona, Mitos sobre testosterona, Verdades sobre testosterona, Tratamento individualizado com testosterona
Chefe do Grupo de Medicina Sexual do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP).
Graduado em Medicina, Cirurgia Geral e Urologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Doutor em Urologia pela FMUSP.
Fellowship em Medicina Sexual pelo Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSKCC – Nova Iorque, EUA)
Estágio externo na Harvard Medical School (Boston - EUA)
Fale Conosco
Envie-nos uma mensagem, entraremos em contato o quanto antes.
Estamos disponivel por telefone: